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terça-feira, 7 de junho de 2011

X-MEN: O Filme (2000)

Na época em que Bryan Singer decidiu dirigir o primeiro filme dos mutantes criados por Stan Lee, falar em filmes de quadrinhos ainda era algo misterioso e papo estritamente de nerd.
Claro que Superman: O filme, Batman: O Filme, Conan: O Bárbaro, e alguns outros haviam trilhado uma trajetória de sucesso que os tornou marcantes e referência no assunto, mas a memória efêmera do público ainda precisava ter novas produções lançadas periodicamente pra que isso fosse completamente estabelecido.
A tarefa de Bryan Singer era difícil, e todos os envolvidos no filme sabiam disso muito bem.

Diferente da época em que Chris Claremont criou as melhores sagas da equipe de mutantes, em algumas das melhores histórias de heróis já realizadas, hoje em dia os títulos em publicação viviam altos e baixos, com muito investimento em pancadaria, e sutis menções às ideias de crítica a preconceitos e discriminação evidentes no âmbito dos personagens.
E, é claro, mesmo que Blade: O Caçador de Vampiros, houvesse conseguido superar os empecilhos que o rodeavam para se tornar um filme competente no que era proposto, isso em nada diminuía a pressão de crítica e público quanto ao que o diretor ia filmar.
E nessas horas pouco importa se o cara já trabalhou com filmes de equipes (Os Suspeitos, 1995), ou com temas polêmicos (O Aprendiz, 1998).
Muitos queriam ver os espalhafatosos uniformes coloridos, outros sentiam repulsa a essa possibilidade. E isso era muito devido à expectativa, afinal, há tempos havia esperança e receio quanto a esse filme.

Singer tinha que se manter alheio a tudo isso.
Ver os primeiros minutos do filme foi constatar algo inesperado pra mim na época.
Imaginei um enfoque na ação que tantos pediam no roteiro, mas o passado de Magneto era uma dose forte de realidade e discurso contundente, na contramão do que vinha ocorrendo nos quadrinhos.
Uma surpresa agradável.
Aos poucos, enquanto os protagonistas e vilões iam surgindo, as impressões divergiam.
Havia os que surpreendiam positivamente (Charles Xavier, Magneto, Mística,...) e outros nem tanto (Vampira, Dentes-de-Sabre,...).

Nas publicações da Casa das Ideias, os heróis costumeiramente eram uns “caras”, pessoas comuns em situações extremas (ou poderes idem), então, investimento nesse ponto era crucial.
As questionadas vestimentas pretas, contrastando com as infinitas cores de uniformes nas HQs eram um elemento essencial que auxiliava no tom sério pretendido por Singer, ainda que muitos não gostem até hoje.
Pouco importa.

O diretor havia enxergado que transportar os X-Men para fora das páginas exigia encontrar o seu equivalente no mundo real, ou seja, a ficção científica.
Tendo feito isso, ainda restava equilibrar a ação e efeitos especiais, com a crítica social que para ele era primordial.
E semelhante ao que ocorre em “Os Suspeitos”, o segredo está no roteiro.
Sutil mesmo na pirotecnia, ele desempenha sua travessia por esse ainda arriscado segmento cinematográfico de maneira cautelosa, o que o limita e o força a decisões não tão interessantes, às vezes.
Era parte do que era previsto desde o início, e o primeiro passo era fundamental para que a proposta fosse vista de maneira viável em uma próxima vez.

O elenco principal, por sua vez, vai de atuações meramente adequadas a outras de resultado surpreendente.
A experiência de Patrick Stewart e Ian McKellen proporciona um panorama que é a tradução exata do embate entre as visões dicotômicas de coexistência pacífica defendida por Charles Xavier e a guerra iminente ansiada por Magneto.
É fato que o protagonista ser Wolverine faz dele menos bestial do que é de costume nos quadrinhos e tenta moldá-lo na função de integrante que insiste em quebrar regras e não trabalhar em equipe, algo que obscurece a presença dos demais em cena, e na verdade não é tão interessante quanto os roteiristas almejavam. 
No entanto, é a escolha acidental de Hugh Jackman que faz dele eficaz enquanto personagem principal.

Naqueles tempos, nem Bryan Singer imaginava ser aquele o surgimento de um novo astro do cinema, porém Hugh Jackman soube aproveitar a oportunidade e dedicou-se a tornar sua atuação icônica, algo que foi comprovado ao longo do prosseguimento da cinessérie, e no seu primeiro derivado cinematográfico.


O caminho escolhido para uma produção que já nascia blockbuster pode não ter sido o óbvio e garantido, afinal, ainda não havia sido descoberto que apenas encher as cenas com raios e explosões, e investir fortunas em marketing poderia suprir a ausência de qualquer ideia e garantir faturamentos exorbitantes.
Foi do jeito complicado que Singer teimou em fazer as coisas do seu jeito e tomou posse do reconhecimento merecido pelo seu trabalho.
Desse modo, ele fez parte do início de uma franquia de possibilidades inexploradas, e que influenciou muitos outros que se arriscariam para transformar os universos quadrinhísticos em filmes de carne e osso.
Ainda bem.

Quanto vale: Meio ingresso com louvor.

X-Men: O Filme
(X-Men: The Movie)
Direção: Bryan Singer
Duração: 104 minutos
Ano de produção: 2000
Gênero: Ficção científica/Ação

2 comentários:

Fernando disse...

Eu ainda não assisti a essa nova empreitada mutante no cinema, mas já vi gente que não conhece nada de X-Men e mesmo assim tecer rasgados elogios.

Mais uma vez, mérito do Singer.

Marcel Ibaldo disse...

Ao que tudo indica deve ser um bom filme.

Sou fã dos personagens, e realmente espero um trabalho digno.